Nós que estudamos o Caminho da Busca baseado no Mestre Shinran, devemos em primeiro lugar esclarecer a questão do “Transcender” o sofrimento de todos os seres viventes, advindo do ciclo de nascimento e morte (Samsara). Esta questão do Caminho da Busca que Shinran trilhou não é uma questão somente para ele, mas também para todos os seres vivos que procuram viver a verdade humana.
A questão humana do transcender do Samsara é expressa na frase: “Raro é o nascimento na forma humana, agora já o ouvi. Com este corpo, tenho a chance única de atravessar da margem da ignorância para a margem da Sabedoria. Junto com todos os seres de todo o coração, tomo refúgio nas Três Jóias do Budismo!”. Neste texto chamado “Tríplice Refúgio” está expressa a razão ela qual devemos trilhar o caminho budista.
A existência do ser humano não se resume apenas ao nascimento e à morte. O fato de ter nascido já é uma questão básica fundamental. Não enfrentar esta questão com sinceridade é viver em vão sem sentido. A questão sobre a forma de encarar a vida é expressa na “roda de Samsara”, que é tema fundamental do Budismo. Enquanto não suscitarmos devidamente o questionamento sobre a Roda de Samsara, não obteremos clareza nas questões relacionadas com a vida humana.
Os diversos acontecimentos dolorosos em nossa vida fazem com que não seja possível viver em questionamentos. Assim sendo, deparamo-nos com a realidade da “Roda de Samsara”. Na frase “Raro é o nascimento na forma humana” está expressa a chance única para realizar a “travessia da margem da ignorância para a margem da Sabedoria”. Na dependência da forma de como viermos a questionar a vida humana, poderemos atingir a compreensão fundamental desta.
O Caminho Búdico é a realização deste desejo. Conta-se que o Buda Shakyamuni, ao nascer, deu sete passos e proclamou que entre o céu e a terra era o mais digno de respeito.
Esta frase paradoxal não expressa uma atitude de auto-idolatria do Buda Shakyamuni, mas o caráter único da vida humana. Conseqüentemente, o necessário respeito a ela, ou seja, a existência digna de respeito é aquela que despertou e realizou a verdadeira realidade do Eu. Esta frase do Buda expressou o significado da vida. Referente a esta questão podemos compreender claramente quando a vida com todos os egoísmos se torna objeto de questionamento. Este questionamento, segundo Buda Shakyamuni, é expresso concretamente na experiência da “renúncia ao mundo”. No Grande Sutra de Amida, referente à “renúncia ao mundo”, temos a seguinte frase: “Percebeu a impermanência”, contemplando o processo do envelhecer, adoecer e morrer. Renunciou a posições sociais e optou pelo caminho do autoconhecimento.
Portanto, renúncia do mundo é uma crítica aos valores da instituição familiar. Colocar como questão fundamental a superação dos valores, tais como apego e paixões inerentes à instituição familiar. Esta é a libertação fundamental. Portanto, a renúncia ao mundo é expressa como evasão do lar, mas isso significa “compreender a impermanência do mundo”, ou seja, perceber a finitude do ego.
Este é o espírito da renúncia ao mundo.
Rev. Masao Ryose
Rompendo as Amarras do Ego Uma introdução ao Budismo Shin
Tradução de Carlos Kajiya
Edição do Instituto Budista de Estudos Missionários Tempo Nambei Honganji

Grato
Estou ADORANDO esta série de reflexões, que continue!