Não sabemos qual era o estado de espírito do Mestre Shinran, quando aos nove anos de idade, renunciou ao mundo, seguindo o caminho do estudo budista. Mas podemos imaginar que possuía a sinceridade e a intuição própria das crianças.
A condição familiar do Mestre Shinran nesta idade era instável, seu pai havia desaparecido e ele possuía quatro irmãos menores. Portanto, podemos imaginar as dificuldades materiais extremas em que vivia. Quando nos encontramos em situações extremas, é natural que se busque um caminho.
O ser humano em geral não deve estudar somente na escola, mas aprofundar os estudos por si próprio. Uma questão anterior a que estudar é: Para que estudar? O objetivo do estudo é uma opção pessoal e individual. Não pode ser autoritariamente imposta por uma outra pessoa ou instituição. Se estudarmos por obrigação, por objetivos imediatos como diplomas, etc, perdemos o verdadeiro objetivo do estudo. Tentar institucionalizar esta aberração é uma atitude de mentes medíocres.
O motivo profundo que leva o ser humano a estudar é a intranqüilidade e a insatisfação latentes em nosso ser. O estudo por essa motivação profunda conduz ao despertar para a verdadeira satisfação e libertação como ser humano. Sem dúvida, o objetivo do estudo deve ser aquele que conduz a humanidade para a liberdade; para tanto é necessário achar a Lei (Princípio). Este caminho baseado na Lei (Dharma) é o Budismo ou ensinamento de Buda. Portanto, as matérias escolares, tais como Ciência, História, Literatura, só terão sentido libertador quando permeadas pelo ensinamento do Buda. Em outras palavras, somente quando o estudo está baseado no Voto da Grande Compaixão é que se torna um estudo real.
O desenvolvimento da ciência trouxe muitos sofrimentos para a humanidade. A descoberta da bomba de hidrogênio, por exemplo, que mataria milhares de pessoas. Se o cientista, diante de todo este sofrimento das milhares de vítimas da bomba de hidrogênio, conseguisse observar com quietude interior este fato, então poderia perceber a realidade da ciência. Aquele que estuda o ensinamento libertador é denominado de “Praticante da Grande Compaixão”. E neste processo, quando conciliam-se objeto e método, consegue‐se o desapego das forças egoístas tais como a ambição, a honra, a luxúria, etc. Estas forças não nos conduzem a uma busca verdadeira. Quando renunciamos a elas, desapegado-nos de toda forma de egoísmo, conquistaremos então o que se chama de renúncia ativa.
Rev. Masao Ryose
Rompendo as Amarras do Ego Uma introdução ao Budismo Shin
Tradução de Carlos Kajiya
Edição do Instituto Budista de Estudos Missionários Tempo Nambei Honganji

Obrigado pela reflexão educacional! ABELARDO. ABE