Artigo 9º – “Esta Escola tem por único Buda objeto de sua veneração o Tathagata Amida.” (Constituição do Shinshû Otani-Ha)
O nosso Gohonzon (Ícone Sagrado) é Amida Nyorai, representado por uma estátua (esculpida em madeira), uma imagem (Kakejiku) ou o Nome Sagrado (Namu Amida Butsu). Independente do formato, em casa, ele é entronizado num oratório (Butsudan ou Onaibutsu) ou ainda disposto num local apropriado como uma prateleira ou mesa. Para o devoto do Shin Budismo, o Gohonzon é o principal centro de sua prática e como tal deve ser mantido com todo respeito.
Há uma controvérsia sobre o que é “melhor”, uma estátua, imagem ou o a inscrição do Nome Sagrado (Namu Amida Butsu). Como se o “melhor” agregasse valor a um objeto sagrado, categorizando o fiel de acordo com o Gohonzon que ele adquire. Sendo assim, jogamos fora um dos conceitos mais importantes do Budismo, o conceito de igualdade. Essa controvérsia é antiga dentro das escolas do ramo da Terra Pura.
Mestre Rennyo afirmava: Do que uma estátua, uma imagem, do que uma imagem, o Myôgô – o Nome Sagrado. Contrapondo-se às outras Escolas budistas que afirmavam o contrário sobre o Gohonzon: Do que o Nome Sagrado, uma imagem e do que uma imagem, uma estátua.
Podemos afirmar que a estátua e a imagem representam a manifestação do Buda Amida para a Rainha Idaike (Vaidehi) descrito no Sutra da Contemplação. E o Nome Sagrado representa a salvação em forma de Nome, o chamamento pelo Buda da Luz e Sabedoria Infinitas que se materializam em forma de som, ou a vocalização da salvação através do Namu Amida Butsu, concedida a nós pelo próprio Amida.
As três formas não têm maior ou menor valor, são reverenciados como Gohonzon porque significa que fomos alcançados pelo Voto de salvação incondicional do Buda.
Mestre Shinran afirmava que o Voto Original do Buda Amida é a força que transpõe este mundo de ilusões e nos faz ir-nascer na Terra Pura, é a atuação do Outro Poder – Tariki, cuja concretização é apresentada no Grande Sutra da Vida Infinita no 18º Voto. A realização do Voto Original é o ponto principal dos ensinamentos do Budismo Shin. De acordo com o Sutra, o Voto se consolida quando os seres viventes ouvirem o Nome Sagrado e alegrarem-se, cientes da salvação. O Nome Sagrado é o Namu Amida Butsu, eleito pelo Mestre Shinran como o Gohonzon do Budismo Shin. Afirmando-se assim, que Mestre Shinran foi o primeiro que determinou o Namu Amida Butsu como Gohonzon.
Historicamente, os Mestres antecessores ao Mestre Shinran – baseados no Sutra da Contemplação que descreve a experiência da Rainha Idaike, direcionada pelo Buda Shakyamuni a vislumbrar o Buda Amida, – consideraram que era necessário representar Amida materializado em forma de estátua ou imagem. A tomada de consciência da salvação ocorria no momento em que se reverenciava o Buda Amida, contemplando-o em meditação. Nós que vivemos na era sem um Buda a nos ensinar o Dharma, resta-nos a prática do ‘escutar o Nome Sagrado’.
Após a estruturação do Honganji, o Terceiro Grão-Mestre Kakunyo Shônin reafirmou que o Gohonzon principal é o Myôgô. Já o Quinto Grão-Mestre Shakunyo determinou a volta do Gohonzon para estátua de madeira em detrimento do Nome Sagrado. Foi Mestre Rennyo, o Oitavo Grão-Mestre quem, retomando o estilo do Mestre Shinran, voltou a usar o Namu Amida Butsu como Gohonzon. Ele mesmo escrevia o Nome Sagrado e distribuía entre os devotos em sua época. Mestre Rennyo utilizava-se também do Nome Sagrado de 9 ideogramas 南無不可思議光如来 (Na-mu-fu-ka-shi-gi-kô-nyo-rai: Tomo refúgio no Tathagata da Luz Inefável) e o de 10 ideogramas 帰命尽十方無碍光如来 (Ki-myô-jin-jip-pô-mu-ge-kô-nyo-rai: Tomo refúgio no Tathagata da Luz sem impedimentos que replena as 10 direções). Ambas inscrições descrevem o Namu Amida Butsu, mais compreensível para os japoneses.
Alguns estudiosos afirmam que Mestre Shinran desaconselhava o uso de estátuas e imagens porque remete a uma prática do Auto Poder (Jiriki) de contemplar a imagem do Buda aspirando o Ir-Nascer na Terra Pura, o que contrariaria o conceito do Tariki.
Independentemente de qual formato o Gohonzon tiver, é importante destacar que não há Gohonzon ‘melhor’ que outro. O importante é o coração confiante (Shinjin) do devoto.
Segundo Rev. Takehashi:
“Enquanto não somos realmente capazes de juntar nossas mãos em profunda reverência, e nossa cabeça se abaixar, Amida não se encontrará em lugar algum. É tão somente nestes momentos que imagens e estátuas se tornam Gohonzon – Ícones Sagrados. A manifestação em forma de atuação – o ‘trabalho’, que nos ilumina revelando-nos como Bonbu (seres profanos) é que torna o Gohonzon, o Ícone Sagrado. É o Myôgô – Nome Sagrado que até mesmo manifesta-se em forma de imagens e estátuas, para que possamos enxergar com nossos olhos (profanos).
Não é porque as estátuas de madeira e as imagens simbolizam a figura do Buda Amida, que as tornam Gohonzon. Não é porque está escrito o Nome Sagrado “Namu Amida Butsu” que o Myôgô se torna o Gohonzon. Pelo fato de juntarmos nossas mãos, é que Amida se manifesta e trabalha por nós. Penso que é por isso que podemos dizer que é o Gohonzon, um Ícone Sagrado.”
Repost do blog http://bonnogusoku.blogspot.com/2021/01/o-gohonzon-estatua-imagem-ou-o-nome.html
Por Reva. Sayuri Tyô Jun




Muito oportuno este post. Gostei!
Gohozon é um local do ícone sagrado, vamos pegar o termo em si… go – prefixo honorífico, hon – principal, zon – nobre, precioso, então podemos ler como o local de algo nobre e precioso. Pode ser uma estátua, uma imagem ou um Nome.