Situado em Quioto, no Japão, o Santuário Central é um local para aqueles que procuram viver através dos Ensinamentos do Buda, assim como nos foram transmitidos pelo Mestre Shinran.

Em seu gênero (construção de madeira), o Templo Higashi Honganji é a maior obra arquitetônica do mundo. É ainda um significativo exemplo de estilo arquitetônico japonês da Era Meiji (1868-1912). Mas, acima de tudo, é um centro espiritual onde as pessoas se reúnem para ouvir a respeito da Verdade.

O Portal do Templo é uma estrutura monumental provida de telhado duplo, sob o telhado superior há um quadro com a inscrição “Santuário Ōtani do Budismo Shin”. No espaço entre os dois telhados estão entronizadas as imagens do Buda Shakyamuni, do Venerável Ananda e do Bodhisattva Maitreya (Miroku-Bosatsu), reproduzindo a cena da pregação do “Grande Sutra da Vida Imensurável”.

Ao passarmos pelas grossas colunas que ladeiam o portal, nos deparamos com a grandiosa estrutura do Pavilhão do Mestre, dotada de telhado duplo, que ocupa todo o nosso campo de visão. O Pavilhão do Mestre mede 64,5m de frente, 46,2m de fundo e 37,4m de altura.

Essa construção e o Pavilhão do Grande Buda do Templo Tōdaiji de Nara são as duas maiores construções de madeira do mundo. O interior do Pavilhão do Templo Todaiji é tomado pela gigantesca estátua de bronze do Buda Vairocana, sentado em meditação, e mede 16m de altura.

Já o Pavilhão do Mestre contém apenas a estátua do Mestre Shinran de 1m de altura, instalada em um nicho no altar. Todas as demais áreas do espaço são ocupadas por uma ampla nave coberta por 699 tatami, capaz de abrigar cerca de 5.500 pessoas sentadas.

Ao subir pelas escadarias centrais, passamos no vão entre as colunas da varanda e do centro da nave de 13,7m. Os suportes das colunas são ricamente decorados e foram dispostos de forma a não prejudicar os devotos em sua circulação e em seus momentos litúrgicos.

O Pavilhão do Mestre comporta milhares de devotos sentados para venerar o Ícone Sagrado do Mestre Shinran, escutar seus Ensinamentos, expressar sua gratidão e aprofundar sua fé. Durante a celebração do Rito de Ação de Graças (Hō On Kō), Aniversário de Falecimento do Mestre Shinran, ali se reúnem devotos do Japão inteiro para venerar e louvar a figura do Fundador.

O Pavilhão do Mestre era originalmente chamado de Pavilhão do Ícone Sagrado. Em 1879 foi concedido pelo Imperador o título honorífico de Kenshin-Daishi (Grande Mestre que Contempla a Verdade) ao Mestre Shinran. Em 1887 o nome do edifício foi mudado para o Pavilhão do Mestre.

As edificações do templo haviam sido destruídas pelo fogo durante o “Incidente do Portão Hamaguri” de 1864 e nessa época estavam sendo realizados os trabalhos de reconstrução do Pavilhão do Ícone Sagrado e da Grande Nave (Pavilhão de Amida). As obras levaram cerca de 15 anos e só foram terminadas em 1895.

O Grande Portal e o Portal da Grande Nave foram reconstruídos em 1911, por ocasião do Rito de 650 Anos de Passamento do Mestre Shinran. Os materiais de construção foram recebidos em oferta ou comprados por todo o país. Muitos operários morreram em acidentes ocorridos em montanhas geladas, ao derrubar árvores para a construção. Tais acidentes eram causados pelo rompimento das cordas empregadas para amarrar os troncos. Entretanto, espalhou-se a ideia de que cordas feitas com cabelo humano seriam mais resistentes do que as cordas comuns. As devotas das províncias de Ecchu, Echigo, Echizen, Ugo, Sanuki, Harima e Bungo fizeram uma campanha de corte de cabelos e ofertaram 53 cordas feitas de cabelo humano. A maior delas mede 110m de comprimento e 40cm de diâmetro.

Até essa época, o Higashi Honganji havia sido por três vezes destruído pelo fogo, nos anos de 1788, 1823 e 1858; em cada uma dessas ocasiões a reconstrução do Pavilhão do Mestre foi feita nas dimensões atuais.

Fonte: honganji.org.br (site extinto do templo de Apucarana – PR)