BUDISMO SEM FRONTEIRAS

Blog de artigos e reflexões sobre Budismo Shin

Glossário

A maioria dos significados aqui presentes é baseada nas obras e dicionários publicados pelo professor Hisao Inagaki e no glossário de “The Collected Works of Shinran“.

[Sk.]: do Sânscrito; [Jp.]: do Japonês; [Lt.]: do Latim; [Ch] do Chinês.

Amida [Jp.] O nome do Buda da Terra Pura Ocidental, que vem do sânscrito amita (infinito), que por sua vez representa amitabha ‘luz infinita’ e amitayus ‘vida infinita’. O Sutra Maior apresenta doze epítetos para este Buda, os quais estão associados com os doze tipos de luz que ele possui. Amida é um dos mais populares Budas no Budismo Mahayana e é mencionado em mais de 200 sutras, dos quais o Sutra Maior é o mais importante. De acordo com esta escritura sagrada, Amida foi um rei que encontrou-se com um Buda e desejou tornar-se, ele próprio, um Buda. Daí renunciou ao mundo e se tornou um mendicante chamado Dharmakara. Fez quarenta e oito votos e desenvolveu várias práticas de bodisatva para completá-los. Depois de muitos éons seus votos se realizaram, e assim ele se tornou um Buda de luz e vida infinitas. Sua terra no oeste, que é também parte do resultado de seus Votos e práticas, é chamada Sukhavati (A Mais Alta Felicidade). Como prometido no Décimo Oitavo Voto, aqueles que tiverem fé sincera em Amida e recitarem o seu Nome (Nembutsu) estarão aptos, através do poder deste Buda, a nascer em sua terra após a morte. Amida é um Buda transcendente, em contraste com um Buda histórico. A escola de budismo centrada em Amida é conhecida como Budismo da Terra Pura, que nasceu na Índia, cresceu na China e atingiu seu completo desenvolvimento no Japão. Amida é, portanto, o Buda principal desta escola.

Anjin [Jp.] Paz da mente, coração estabilizado; fé; certeza; crença firme; usada com um equivalente de shijin ou fé, e é provida ao budista por Amida

Bhagavat [Sk.] O Honorável, O Abençoado; O Mais Honrado do Mundo; um dos dez epítetos de um Buda.

Bhavachakra [Sk.] “Roda do vir a ser”; “roda da vida”; símbolo pictográfico que sintetiza diversos conceitos budistas como ‘paixões maléficas’, ‘samsara’, ‘nirvana’, ‘originação dependente’, etc.

Bodhi [Sk.] Iluminação; a mais alta sabedoria.

Bodisatva* [Sk. bodhisattva] “Um ser da iluminação”; alguém que faz votos para atingir a iluminação e salvar os seres que sofrem, e assim inicia o longo curso de prática. Aquele que cumpriu a prática bodisatva é um Buda; um ser inclinado à iluminação; aquele que alcançará a budeidade. Ver ‘Amida’.

Brahma [Sk.] Originalmente o deus criador no Hinduísmo; no budismo ele é o senhor do Céu do Primeiro Dhyana no mundo da forma.

Budadarma [Sk. Buddha-Dharma] O ensinamento do Buda; a verdade realizada e revelada pelo Buda.

Buda Shakyamuni [Sk. Buddha Shakyamuni] “O sábio do clã dos Shakya”; Siddharta Gotama, o fundador do budismo; o príncipe indiano nascido há cerca de 2.500 anos atrás que encontrou o caminho da Iluminação e tornou-se o Buda, o Desperto; o Buda histórico.

Bombu [Jp.] Um ser comum, não iluminado; uma pessoa tola e ignorante, em contraste com um sábio.

Carma* [Sk. karma] Ação; no budismo três tipos de ação são identificáveis: corporal, verbal e mental; e ainda, de acordo com sua natureza moral, uma ação pode ser boa, má ou neutra, e ela inevitavelmente produzirá o seu resultado quando as condições propícias se manifestarem. Conversão dos Três Votos [Jp. sangan tennyu] 1.O estágio do poder próprio (Voto 19) em que o Nembutsu é praticado como uma das muitas abordagens possíveis para o transcendente; O estágio do poder próprio (Voto 20) no qual o Nembutsu é praticado como a única abordagem para o transcendente; 3. O Estágio do Outro Poder (Voto 18) em que o Nembutsu é praticado como uma autoexpressão do transcendente através do Voto. O Poder de Amida é totalmente evidente na última etapa, mas nos dois primeiros estágios, ele também está emoperação, embora despercebido. Quanto mais cedo toma-se consciência do Outro Poder, mais fácil e rápido torna-se o processo de conversão. Quando o poder próprio é abandonado ou, mais precisamente, absorvido e assimilado pelo poder de Amida, o Nembutsu é naturalmente praticado em conformidade com a lei transcendente e universal. O Nembutsu como tal já não é uma mera prática verbal, é uma autoexpressão do próprio Amida e é completo em si mesmo. O número de vezes que ele é recitado não é importante. A virtude consumada de Amida está contida e se manifesta em cada recitação do Nembutsu, e é essa virtude que transforma o carma maléfico em méritos e permite que se tome o caminho direto para Bodhi.

dharma* [Sk. dharma] Algo existente, coisa, elemento, constituinte, etc.; frequentemente usada no plural e “d” minúsculo.

Dharma* [Sk. Dharma] Verdade, Lei; o ensinamento do Buda.

Devoção [Lt. devotio, onis] Segundo um dos principais significados latinos, “voto com que alguém se obriga, se consagra, se dedica”. Portanto, no contexto Shin, o legítimo devoto é o bodisatva Dharmakara, que através de seus votos tornou-se o Buda Amida. É dos Bodisatvas e Budas (ver ‘Amida’, ‘Bodisatva’, ‘Oyasama’) que se originam todos os meios para a salvação dos seres que sofrem; sendo assim, cabe ao adepto shin-budista uma atitude de receptividade sincera, um “ouvir” constante do Voto Compassivo de Amida (ver ‘Mon’).

Dharani [Sk.] Uma frase mística que contém significados ilimitados.

Dharmakara [Sk.] Ver ‘Amida’.

Dharmakaya [Sk.] ‘Corpo Dármico’; o corpo da Realidade Última, um dos três corpos de um buda.

Eko [Jp.] “Transferência de mérito”; Amida transfere o seu mérito para nós através do Nome; de acordo com Shinran, a transferência de mérito de Amida opera em duas direções: (1) para o nosso nascimento na Terra Pura e a derradeira Iluminação e (2) para o nosso retorno ao mundo samsárico para salvar outros seres.

Hakarai [Jp.] É a forma nominal de um verbo que significa deliberar, analisar e determinar um curso de ação. Além disso significa arranjar ou manobrar, solucionar um problema, levar um plano à conclusão. No uso mais comum de Shinran, como sinônimo de poder próprio, refere-se a todos os atos do intelecto e da vontade direcionados à obtenção da libertação. Mais especificamente, são os esforços do praticante para fazer de si merecedor da compaixão de Amida conforme sua perspectiva particular e apego aos seus julgamentos e planos – tudo isso fundamentando-se em sua própria bondade – para atingir o despertar religioso.

Hinayana* [Sk. Hinayana] Ver ‘Theravada’.

Honen (1133-1212); mestre japonês, o sétimo patriarca do Shin e professor de Shinran.

Hongan [Jp.] “Voto Principal”; ‘Voto Original”. A obra do Buda Amida que brota como um desejo fundamental, o anelo da própria fonte mais profunda de vida, o corpo Dármico como tal, para libertar todos os seres do fardo cármico que carregam neste oceano de nascimento e morte (samsara).

Iluminação [Sk. Bodhi] O objetivo final do budismo; a mais alta sabedoria, o fim do sofrimento.

Ignorância [Sk. Avidya] [Jp. Mumyo] Escuridão espiritual ou obscuridade. O termo ‘avidya’ significa ausência da sabedoria que vê a realidade tal como ela é. A ignorância está profundamente entranhada na existência humana. É a raiz da todas as formas de ilusão e sofrimento, um dos três venenos (cobiça, raiva e ignorância); e ainda, o fator básico no ciclo de causação de doze estágios. O objetivo do Budismo é transformar a ignorância em iluminação. No Shin a verdadeira compreensão de si mesmo como ignorante – isto é, como uma pessoa de avidya – acontece apenas através da ação do nembutsu ou shinjin, e assim é chamada de “sabedoria de shinjin” ou “nembutsu da sabedoria”. Está sabedoria é o conhecimento de si mesmo como ignorante, e portanto é a sabedoria que toma a ignorância como sua base. Quando o ignorante alcança esta sabedoria, a sua ignorância, ao invés de ser extirpada, é transformada em sabedoria.

Insight* Despertar espiritual.

Jiriki [Jp.] Ver ‘poder próprio’.

Jodo [Jp.] “Terra Pura”; Esfera da Iluminação; Campo de Mérito Imensurável; ver ‘Amida’.

Jodoshinshu [Jp.] Ver ‘Shin’.

Jodoshu [Jp.] “Escola da Terra Pura.” I. Budismo da Terra Pura. II. “Seita da Terra Pura”; nome da seita fundada por Honen Shonin em 1175.

Kalpa [Sk.] Um período de tempo imensurável; éon; também um período de mudança cósmica.

Koti [Sk.] Uma unidade númerica da Índia, equivalente a 10 milhões.
Ksatriya [Sk.] Casta de guerreiros, a segunda superior das quatro castas da Índia.

Kyogyoshinsho [Jp.] A obra principal de Shinran Shonin.

Li [Ch.] Uma medida de comprimento chinesa igual a 360 passos ou mais ou menos 1890 pés (Matthews); então 1 li equivale a aproximadamente 576 metros. Usada no Sutra Maior para traduzir o yojana, a unidade indiana de medida; uma comparação entre o texto chinês e o sânscrito mostra que um yojana é equivalente a 250 li nos capítulos 15 e 28 e a 2500 li nos capítulos 7 e 15. Ver Seikuro da Província de Yamato.

Maaiana* [Sk. Mahayana] “O Grande Veículo”; uma das duas maiores escolas de budismo, sendo a outra a Hinaiana ou Theravada.

Mahasattva [Sk.] “Um ser grandioso”; o mesmo que ‘bodisatva’.

Mahamaudgalyayana [Sk.] Um dos dez grandes discípulos do Buda Shakyamuni, conhecido pelo seu poder supernatural.

Mal cármico [Jp. akugo] Todos os atos humanos cotidianos, corrompidos pela e ignorância e paixões cegas contidas nas profundezas do ser, criam sofrimento. O termo é frequentemente usado em composição com ignorância (mumyo-akugo) e paixões cegas (bonno-akugo), apontando para as profundas raízes do mal cármico na própria existência samsárica. De fato, por causa de éons de repetição e hábito, o mal cármico é tão entrincheirado na vida humana que é praticamente impossível de se livrar de suas consequências adversas através do esforço moral ou práticas religiosas. No entanto, é o principal cuidado do poder salvífico de Amida contido no Hongan, que não descansará até que esse mal cármico seja transformado no conteúdo da iluminação. Ver ‘Ignorância’ e ‘Paixões cegas’.

Mara [Sk.] Um demônio, um adversário; existem quatro tipos de demônios no budismo: (1) as paixões maléficas, (2) os cinco elementos constituintes da existência individual, (3) a morte e (4) o rei dos maras que habita o Sexto Céu no mundo do desejo.

Mappo [Jp.] O último Darma; Darma decadente; o período do último e decadente Darma. Ver ‘Ojo Jodo’.

Mon [Jp.] Ouvir/escutar. No budismo Shin “ouvir” é o aspecto central da vida religiosa, pois é na prática a experiência de shinjin. Equivale dizer que “ouvir” é “o despertar” para (1) o Voto Original de Amida como a mais alta expressão de compaixão pela (2) profunda crise de nossa situação existencial. Assim, no “ouvir” / “despertar” há uma experiência simultânea; “ouvir” é ouvir o chamado da verdadeira e real vida para retornar à casa das casas, e responder com todo o ser a este chamado, seguindo-o até que se chegue ao verdadeiro lar, a Terra Pura. Este chamado é o Namu Amida Butsu. Ver também a história de Kisa Gotami.

Myogo [Jp.] O Nome Sagrado do Buda Amida.

Myokonin [Jp.] “Uma pessoa excelente, admirável”; uma das cinco palavras de alto louvor usadas por Shan-tao para referir-se a um seguidor do Nembutsu; mais tarde, no Japão, esta palavra veio a ser usada para designar shin-budistas cujas ações eram notáveis. Ver Myokonin.

Nascimento na Terra Pura Ver ‘Ojo Jodo’.

Nayuta [Sk.] Um número extraordinário, que pode corresponder a dez milhões ou a cem bilhões.

Nembutsu [Jp.] Recitação do Nome “Namu Amida Butsu”; meditação sobre Amida; atividade salvífica de Amida que encontra sua expressão na mente e corpo do shin- budista. Em sua relação com a Fé, pode-se dizer que o Nembutsu é uma expressão espontânea dela. Ver ‘Shinjin’.

Nirmanakaya [Sk.] “Corpo Transformado”; Corpo de um buda manifestado para atender ou corresponder às diferentes necessidades e capacidades dos seres viventes.

Nirvana* [Sk.] O objetivo final da aspiração e empenho budistas, onde as paixões maléficas são extintas e a mais alta sabedoria conquistada; termo frequentemente traduzido como ‘extinção’ ou ‘tranquilidade’; no Maaiana, Nirvana não é um estado niilista ou estático, mas o estado da eternidade, felicidade, liberdade e pureza; é a esfera de atividade de budas e bodisatvas.

Nyorai [Jp.] [Sk. Tathagata] “Aquele que veio daquilo que é (a realidade última)”; um epíteto para um Buda.

Ojo Jodo [Jp.] “Nascimento na Terra Pura”; o significado literal do termo original ojo é “ir-nascer”. Tradicionalmente ele significa atingir o nascimento na Terra Pura depois da morte, de forma que em um ambiente religioso ideal, seria possível receber a ajuda do Buda, atingir o estágio de não retrocesso e por fim realizar a perfeita iluminação. As pessoas que vivem nesta última era Dármica (ver ‘mappo’), separadas do Buda e enfrentando um período de caos e corrupção, sentiram que a iluminação era impossível a não ser que renascessem em condições mais propícias para que pudessem alcançá-la. Além disso, a partir de Shan-tao em diante, a recitação do Nome de Amida foi considerada o meio mais efetivo para nascer na Terra Pura; daí o termo “nascimento através do nembutsu” (nembutsu ojo). Para Shinran, entretanto, “nascimento na Terra Pura” não significa ir para algum lugar ideal a fim de se passar por um treinamento espiritual prolongado; o termo significa que no momento da morte o shin-budista imediatamente atinge a suprema iluminação, sendo liberado dos grilhões cármicos e conquistando o nirvana. Além disso, em sua investigação da natureza do “nascimento através do nembutsu”, Shinran veio a enfatizar a centralidade de shinjin como o despertar para a compaixão de Amida e a fonte da qual a verdadeira recitação do Nome emerge, livre de quaisquer artifícios. Assim o seu ensinamento pode ser caracterizado como “nascimento através da realização de shinjin”, onde o nembutsu e shinjin são considerados inseparáveis. A partir desta perspectiva Shinran estava apto a fazer desenvolvimentos radicais no conceito de nascimento. Desta maneira a ideia de ir nascer na Terra Pura, que tinha um significado único futurista no pensamento tradicional, adquiriu em Shinran uma conotação dupla: (1) o despertar no presente imediato chamado shinjin, no qual o indivíduo é envolvido pela grande compaixão e nunca mais abandonado, e (2) a conquista da suprema iluminação ao fim da vida, levada a cabo sem qualquer esforço ou empenho da parte do praticante, através da atividade natural (ganriki jinen) da compaixão de Amida. Ver “O que é Shinjin”.

Outro Poder [Jp. Tariki] O poder salvífico de Amida que se origina de seu Voto Primordial

Oyasama [Jp.] Um epíteto do Buda Amida, que denota sua imensurável compaixão pelos seres que sofrem; significa tanto maternidade quanto paternidade, e envolve portanto todos os atributos e funções destas qualidades; benevolência plena, completa; “minha querida mãe, meu querido pai”.

Paixões cegas [Jp. Bonno] Termo abrangente que descreve todas as forças, conscientes e inconscientes, que impelem pessoas não iluminadas a pensar, sentir, agir e falar – seja na felicidade ou tristeza – de tal modo a causar mal-estar, frustração, tormento, dor e tristeza mentalmente, emocionalmente, espiritualmente e mesmo fisicamente para si
mesmas e para os outros. Enquanto o Budismo faz uma análise sutil e detalhada das paixões cegas, empregando certos termos como cobiça, raiva, ilusão, arrogância, dúvida e visões incorretas, fundamentalmente elas estão enraizadas no feroz e estúpido apego ao tolo e maligno “eu” que constitui a base de nossa existência. Quando nos damos conta de todas as implicações desta verdade sobre nós mesmos, vemos que a condição humana é em si nada mais que paixões cegas. Assim, viver, ou querer viver como um ser não iluminado é manifestar paixões cegas todo o tempo, a despeito daquilo que possamos parecer ser. Entretanto, só é possível tomar conhecimento disso através da iluminação da grande compaixão. Sendo assim, despertar para a própria natureza é chamado de “a sabedoria de shinjin”, e a pessoa que isto realiza já foi tomada pelo Hongan de Amida. As seis principais
paixões cegas são: 1) apego; 2) raiva e ódio; 3) estupidez ou ignorância em relação à verdade e à realidade; 4) Soberba e arrogância; 5) dúvida e rejeição das verdades ensinadas pelo budismo e 6) visões incorretas.

Paixões maléficas Ver ‘Paixões cegas’.

Paramita [Sk.] Prática virtuosa que um bodisatva desenvolve ao longo de sua jornada espiritual visando atingir a iluminação., como o cultivo da generosidade, moralidade, paciência, coragem, meditação, sabedoria, etc.

Prajna [Sk.] Sabedoria, especialmente a sabedoria que compreende a não-substancialidade de tudo o que existe; sabedoria transcendente.

Pratityasamutpada [Sk.] Vir à existência dependendo de outras coisas; originação dependente.

Pratyekabuddha [Sk.] Um dos dois tipos de sábios Theravada, sendo Shravaka o outro; aquele que atinge a emancipação sem o guiamento de um mestre.

Poder próprio [Jp. jiriki] O poder da própria pessoa na realização de práticas budistas; é limitado e maculado pelas paixões cegas e assim ineficiente na conquista do objetivo do Caminho; Ver “Outro Poder” e ‘Hakarai’.

Quatro Nobres Verdades Um dos ensinamentos básicos do Buda Shakyamuni: (1) a verdade sobre o sofrimento (a vida neste mundo inclina-se ao sofrimento), (2) a verdade sobre a causa do sofrimento (as paixões cegas), (3) a verdade sobre a extinção do sofrimento (a condição livre de sofrimento chamada Nirvana) e (4) a verdade sobre o caminho para o Nirvana (o Nobre Caminho Óctuplo). Esse sistema partiu da já bem desenvolvida teoria médica indiana existente na época de Shakyamuni, que foi responsável pelo seu aprofundamento bem como pela abertura de dimensões espirituais, filosóficas, psicológicas, etc.

Rennyo (1415–1499) Mestre japonês, foi o oitavo monshu (sacerdote-chefe), considerado um grande restaurador e inovador do Shin.

Saha [Sk.] Saha significa literalmente persistência, paciência; designação do mundo em que vivemos , no qual as pessoas passam por diversas e constantes aflições e sofrimentos.

Salvação Ver ‘Iluminação’ e ‘Shinjin’.

Samádi* [Sk. Samadhi] Um estado mental de concentração e foco de pensamento em um objeto; também um estado mental transcendente e de transe obtido através da prática constante da concentração.

Samantabhadra [Sk.] Um grande bodisatva que representa o princípio último, a meditação e a prática de todos os budas; representado frequentemente montado em um elefante branco. Ao seguir as suas virtudes aquele que nasce na Terra Pura é capaz de retornar a este mundo samsárico para salvar os outros.

Sambhogakaya [Sk.] “Corpo-de-Recompensa”; o corpo de um buda recebido como o resultado de suas supremas práticas meritórias; um dos três corpos de um buda.

Samsara* O ciclo de nascimento e morte no qual os seres estão enredados como resultado do próprio carma; aflições e angústias sucessivas; o surgir e o desvanecer da sensação de um ‘eu’ autônomo e permanente; o estado de transmigração; o budismo visa libertar os seres deste estado e levá-los ao nirvana.


Sangha [Sk.] A comunidade de discípulos do Buda Shakyamuni; monjas e monges, leigas e leigos que tomaram o Tríplice Refúgio.

Satori [Jp.] Iluminação.

Shantao (613-81) Mestre chinês, o quinto patriarca do Shin.

Shin [Jp.] Nome popular da escola budista Jodo Shinshu, também conhecida como Budismo da Terra Pura ou Shinshu; ver “Apresentação”, “Princípios” e “Shinran e o Shin”.

Shinjin [Jp.] Mente e coração confiantes; o coração-mente verdadeiro, real e sincero; ver “O que é Shinjin”.

Shinran (1173-1262) Mestre japonês, fundador do Shin. Ver “O Fundador” e “Shinran e o Shin”.

Shonin [Jp.] Eminente monge.

Shravaka [Sk.] “Aquele que ouve a voz”; originalmente um discípulo do Buda; posteriormente, designação de um seguidor do Theravada.

Siddharta Gotama [Sk.] Ver ‘Buda Shakyamuni’.

Sukhavati [Sk.] Ver ‘Jodo’.

Sumeru [Sk.] O Monte Sumeru é a montanha mais alta na cosmologia budista, que ergue-se do centro do mundo.

Sutra* [Sk.] [Jp. Kyo] Escritura budista; um discurso ou sermão proferido pelo Buda Shakyamuni.

Tanluan (476-542) Mestre chinês, terceiro patriarca do Shin.

Tariki [Jp.] Ver ‘Outro Poder’.

Tathagata [Sk.] Ver ‘Nyorai’.

Tendai [Jp.] Escola budista da qual Shinran foi monge. Ver “O Fundador” e “Shinran e o Shin”.

Terra Pura Ver ‘Jodo’.

Theravada [Sk.] Um dos dois maiores ramos do budismo, sendo o outro o Maaiana.

Trikaya [Sk.] Os três corpos de um buda: Nirmanakaya, Sambhogakaya e Dharmakaya.

Tríplice Refúgio [Sk Trisharana] O Tríplice Refúgio é composto pelas ‘Três Jóias’: o Buda, o Darma e a Sangha. A Tomada de Refúgio nas Três Jóias é o ofício através do qual alguém se torna, formalmente, discípulo do Buda Shakyamuni.

Vajra Narayana [Sk.] [Naraen Kongo Jp.] Uma divindade extremamente forte, protetora do budismo.

Voto de Bodisatva Ver ‘Bodisatva’.

Yojana [Sk.] Uma unidade de medida de distância indiana, equivalente a 11,2 ou 14,4 quilômetros; também equivale à distância que o exército real podia percorrer em um dia de marcha.


*Termos que já foram incorporados ao português mas que às vezes não são devidamente tratados no contexto budista (o que é de fato muito difícil de se fazer em dicionários não especializados, considerando-se a imensa complexidade dos temas).