Todo ano os templos budistas no Japão tocam o Bonshô (grande sino) 108 vezes em referência às 108 paixões mundanas. Vivemos por 108 desejos e os seus 108 despertares. A conta começa pelos seis sentidos – visão, audição, olfato, paladar, tato e consciência (o budismo considera a consciência como um sentido) impactados por três reações – positiva, negativa ou indiferente – resultam 18. Cada um desses desejos podem estar ligados ou separados do prazer, portanto multiplica-se por dois, dando 36. Cada um desses desejos pode se manifestar no passado, presente ou futuro, portanto multiplica-se por três, resultando 108.
Este é o número de 108 contas nos rosários (sânsc. japamala, jap. nenju ou juzu) dos monges. Os rosários menores dos leigos praticantes é em formato reduzido em um terço, ou seja, 36.
No Shinshu, o rosário não tem função de contagem como nos tibetanos ou outras vertentes religiosas como aos cristãos nas novenas. Ele serve pra nos lembrar que todos os seres viventes (as contas) estão conectados a uma só Vida (o fio interno do rosário) e todos se findam na Iluminação (a conta maior). Entre as contas menores e a maior estão duas outras contas médias que simbolizam a Sabedoria e a Compaixão, alicerces do caminho budista.
