O ensinamento búdico encerra uma clara compreensão e aceitação da condição humana, trazendo consigo a realização do “estado de Buda”.

Baseando-se assim na realidade da condição humana, tornam‐se claras a compreensão e a aceitação do fato de realizar-­se o budato. O significado da Verdadeira Escola da Terra Pura, instaurada pelo Mestre Shinran, não se resume em estudo e pesquisa acadêmica da doutrina budista, mas sim num conhecimento direto do Buda. Para que possamos atingir este conhecimento direto, é necessário obtermos uma “Mente Desperta” (Shinjin), esta mente desperta é a mente aberta que crê e acolhe o fato da vida em que cada indivíduo é ser único e absoluto. Podemos dizer também que a “Mente Desperta” é aquela mente que realizou a “conversão” e realiza a recitação do nome do Buda Amida (Nembutsu).

A experiência religiosa da fé necessariamente tem que incluir a experiência da conversão. A fé é a conversão subjetiva da existência e também a metamorfose do ser como um todo. A Iluminação do Buda é a percepção do ser humano na sua realidade e não mais uma compreensão objetiva.

O Buda é considerado o Grande Mestre, porque ele transmitiu o autoconhecimento ou o conhecimento do despertar para a realidade do eu. Ele nos ensinou reaver a realidade humana. O Buda é o poder de nos chamar e despertam para a nossa realidade, tal é o significado do nome do Buda. O nome do Buda, não tem cor nem forma, mas age despertando-nos para a Verdade, ou seja, Tathagata. O nome do Buda é a expressão NAMU AMIDA BUTSU; NAMU corresponde ao original sânscrito Namas e foi traduzido para o chinês como Kimyô e para o português como “tomar refúgio”. AMIDA significa infinito, imensurável, uma realidade que não pode ser apreendida por parâmetros finitos. Quando o ser humano retorna para essa condição de infinitude, ocorre o Ir-­nascer. Este fato ocorre independentemente do desejo egóico. É o recebimento da vida imensurável, referente a essa experiência o Mestre Honen disse: “Tomai refúgio no NAMU AMIDA BUTSU”.

A fé salvadora não é orar para obter felicidade nem orar para adquirir lucros materiais, saúde, etc. A verdadeira fé é plena em si.

No pensamento ocidental, a filosofia e a religião são separados, mas no Budismo não há esta dicotomia. Trata-se de uma religião filosófica. O verdadeiro ensinamento não está nos livros, mas na experiência direta. Somente aqueles que adquiriram o conhecimento pela experiência é que conhecem a verdade. O Mestre Doguen expressou este fato na frase: “Conhecer o Budismo é conhecer o eu”.

Difícil é adquirir o conhecimento da verdade, mas mais difícil é obter o conhecimento do eu. Não existe eu fora da experiência do autoconhecimento. No Budismo o importante é o eu desperto pela experiência do autoconhecimento. Despertar para o verdadeiro eu, abrindo-­se para a sabedoria.

Na nossa atual sociedade de massa, a individualidade é suprimida, desta forma o eu também fica suprimido. Portanto, o eu da sociedade de massa não é o verdadeiro eu.

No Budismo é dito que aqui e agora já estamos iluminados pela luz da sabedoria. E esta Luz irá iluminar toda a humanidade infinitamente no futuro. Esta sabedoria é chamada de “Corpo do Dharma” (Dharmakaya), é o Voto de Amida.

Rev. Masao Ryose 

Rompendo as Amarras do Ego Uma introdução ao Budismo Shin

Tradução de Carlos Kajiya

Edição do Instituto Budista de Estudos Missionários Tempo Nambei Honganji