Há um bom tempo eu tentei seguir a vida monástica budista, foi sem duvidas um período muito especial para mim e que me ensinou muitas lições importantes não só como budista mas como ser humano em vários aspectos da vida. Infelizmente muitos aprendizados se perderam da memória mas alguns procuro sempre recordar com carinho no meu coração, as considerando como lições atemporais. Gostaria de compartilhar com vocês algumas reflexões e lições budistas que guardei sobre este período tão importante da minha vida.

Enquanto o tolo monge acredita ser melhor que os leigos por poder ensinar, o sábio monge se identifica em meio aos tolos e não condena ou julga as condições alheias de aprendizado.

Enquanto o tolo monge acredita que conseguir seu manto e credenciais é o suficiente para ser um bom clérigo, o sábio monge não esquece de seus mentores e segue em continuo aprendizado por toda a vida como um discípulo que nada sabe.

Enquanto o tolo monge acredita que seu trabalho e esforços são parte de uma negociação de favores a serem retribuídos por elogios, doações ou fama, o sábio monge acredita serem seus trabalhos o mínimo que poderia fazer para retribuir a dádiva de ouvir os ensinamentos e se concentra em cooperar pela transmissão dos ensinamentos para os próximos.

Enquanto o tolo monge cria ambições por posições hierárquicas e trabalhos de destaque, o sábio monge reconhece que todas as funções, oportunidades e posições, grandes ou pequenas, atraindo atenção ou não, são dignas e importantes para o Sangha, se alegrando em ajudar com um simples varrer do pátio por exemplo e não se considerando melhor ou pior que quem varre.

Enquanto o tolo monge acredita ser necessário atacar, brigar e xingar aqueles que se alinham a ensinamentos distorcidos ou diferentes do que acredita, o sábio monge se preocupa mais em transmitir os ensinamentos com compaixão, empatia e sabedoria com os exemplos de vida que transmite, pois sabe que as mentiras tem pernas curtas e logo o verdadeiro se destacará entre o falso.

Enquanto o tolo monge se preocupa em ser recompensado, o sábio monge se dedica à servir ao Buda, ao Dharma e ao Sangha.

Enquanto o tolo monge tenta justificar todas as suas falhas e não aceita críticas, o sábio monge escuta e aceita as criticas a ele direcionadas, considerando todos de seu cotidiano como professores.

Às vezes a própria existência de críticas diz muito sobre como agimos, pensamos, falamos ou nos apresentamos diante de outros.Enquanto o tolo monge sempre se declara publicamente como um grande erudito, o sábio monge esvazia o próprio ego e se reconhecesse sempre como um iniciante que mais tem a aprender do que ensinar.

Post feito por Gustavo Venceslau