A simbologia dos 49 dias nos Ritos de Homenagem Póstuma (Hōji) tem sua base no número 7. Lendariamente se diz que o Buda meditou durante 7 semanas (isso é uma tradição chinesa), uma semana para contemplar cada mundo do samsara que são 6 e na sétima semana ele contempla o Nirvana.
Partindo disso surgiu a crença de que o falecido percorria também os 6 mundos pós morte para contemplar os sofrimentos em que poderia cair por suas ações e na 7ª semana passaria pelo julgamento do Senhor Enma (Yama-raja), o Senhor do mundo dos mortos e aí é dada a sentença para a sua salvação ou condenação e renascer em algum dos mundos do Samsara. Durante as 6 semanas realizam-se cerimônias para tentar livrar o morto de se identificar com os mundos do Samsara; e no final da 7ª semana comemorava-se a Iluminação do falecido. 7×7=49.

Essa crença entrou no Japão através do Budismo esotérico, bem como no Tibete. Influenciou também o Shintoísmo que prega um período de 50 dias para a purificação do falecido, bem como da família.

O Jôdo Shinshû aproveitou esse costume para poder levar o Dharma correto às pessoas. Aqui no Brasil não são comuns os Ritos do “Período Intermediário” e sim apenas o de 49 dias, bem como o de 100 dias.

Mas o importante é entender que na Doutrina da Terra Pura existem até alguns sutras que falam que mesmo indo nascer na Terra Pura, a pessoa fica dentro de uma grande flor de lótus num estado de sonho, onde contempla os 6 mundos e o Nirvana. Aí a flor desabrocha e a pessoa desperta e é recebida pelo Buda Amida e pelos Devas e Bodhisattvas.

Na Doutrina de Shinran, nosso “ir-nascer” (ôjô) se inicia no aqui e agora e nosso derradeiro renascimento no Jôdo se dá instantaneamente.
Gasshô

Rev Wagner Hakushin