Na visão budista, na existência (de um ser) não há um eu substancial independente, e sim totalmente condicionado a inúmeras causas e condições, a qual chamamos de Lei da Originação Dependente e aos Cinco Agregados. Todos eles impermanentes e interdependentes. Entende-se, no entanto, que o eu possui o ensejo por se iluminar, algo imanente e inerente ao questionamento humano em querer sair do sofrimento, a nossa natureza buda nos chamando, por se libertar do ciclos de nascimentos e mortes e sofrimentos causados pelos desejos e apegos constantes proporcionados pelas nossas paixões mundanas. E que dá sentido à própria existência.
Esse ensejo, contudo, é fruto do condicionamento de um Buda que chamamos Amida, o qual decidiu em Voto realizado há tempos inimagináveis que se todos os seres não forem tocados por sua Luz e nascer em sua Terra Pura, ele, Amida, não se tornaria um Buda (previamente era chamado de Dharmakara antes de realizar-se). Mas ele já se tornou um Buda, logo todos os seres são tocados por sua Luz. E faz parte desses meus incontáveis condicionamentos da existência a semente da Iluminação plantada em seu Voto.
Aqui a Lei da Originação Dependente está correlacionada intimamente com o Outro Poder, o Poder de um Buda. Pois de mim, já que não há nada substancial e original, não há poder algum capaz em me iluminar plenamente. O Poder Próprio então torna-se uma ilusão do ego em acreditar que cabe a ele, o finito, iluminar-se, enquanto que na realidade é o Infinito, o Outro Poder, que proporciona isso. Confiar neste Poder é o ato suficiente que nos resta realizado em uma profunda tomada de consciência e de auto-questionamento e conhecimento sobre como a existência se manifesta. O Todo que se manifesta na unidade.
Namu Amida Butsu
