A estátua ou pintura do Buddha, pousada com dignidade no templo é uma nau para levar pessoas sofredoras à distante margem da paz e da tranquilidade, uma lanterna para levar luz a um lugar escuro. Tais ícones são encarados como seres benéficos, estendendo a mão para nós, confusos, perdidos, tomando-nos pelas mãos e levando-nos na direção certa.
É por isso que unimos nossas mãos em prece, curvamos a cabeça e agradecemos diante dessas imagens. Mas esse não é o nosso objetivo. A verdadeira realidade concebida por Shinran, o lugar para onde todos serão finalmente conduzidos era a Terra Pura, acima de todas as imagens. A Verdadeira Escola da Terra Pura, fundada por Shinran e depois popularizada por Rennyo, chamava a esse objeto primário da fé e da veneração do myôgo (nome). Esse nome era constituído de seis, oito ou às vezes dez caracteres chineses escritos num pedaço de papel e este era venerado. A maioria desses myogo consistia dos caracteres Namu Amida Butsu ou “Encontro refúgio no Buddha Amitabha”.
O que significa venerar essas palavras escritas e que relação elas têm com nosso próprio sofrimento? O Buddha de Shinran era o conceito Namu Amida Butsu e essa idéia não é como um Buddha concreto que pode ser visto com os olhos. A Terra Pura é, como a própria fé, invisível. Um mundo em uma escala infinita. É tempo eterno — algo que transcendeu todos os conceitos de tempo. É isso que Shinran expressava com as palavras Amida Butsu. Namu significa “refugiar-se em”. Refugiar-se em alguma coisa quer dizer ajoelhar-se diante dela, abaixar a cabeça, entregarse a ela completamente e fazer o voto de unir-se a ela.
Rennyo desenvolveu o nembutsu de Shinran, de refugiar-se no Buddha, em um nembutsu que era uma expressão de alegria e gratidão por encontrar o Buddha, e foi essa forma que se popularizou. […] Em vez de recitar Namu Amida Butsu ou Namo Amida Butsu, enunciando claramente cada sílaba, muitos japoneses idosos dizem Namandabu ou até Namanda, mas estas são só versões abreviadas da fórmula original. Recitar Namanda está de completo acordo com a intenção de Shinran. Ele não estava dirigindo olhar a nenhuma imagem, mas à Terra Pura, uma região invisível, infinita e ilimitada, em oposição à esfera do pensamento racional e científico.
A Escola Jodoshin, autor desconhecido
