O Buda nos esclareceu que esta margem é o mundo profano, mundano das paixões em espiral, do samsara e a outra margem como sendo a Terra Pura do Buddha Amida, Terra da Suprema Alegria e da Perfeita Iluminação. Passar desta margem para a outra é o propósito budista para se libertar do sofrimento, e também a simbologia do Rito de Ohigan no próximo mês.

Mas qual a largura desta margem para a outra margem? Seria uma largura grande, pequena, média? A largura depende da quantidade da nossa ignorância. A compreensão do Namu Amida Butsu faz desta largura se tornar apenas uma linha tênue, ainda que permanecemos nesta margem. Passamos então a um estado de profundo agradecimento, de graça pelo Compassivo Voto do Buda Amida, o Sagrado Transcendental, a iluminação personificada. Por isso o Nembutsu de Shinran não é visto como prática a se alcançar algo. Ele reinterpretou o Nembutsu. Então, admiramos um lago perto uma relva em meio a uma brisa fresca como expressão do Dharma nos chamando a contemplar a vida além do samsara. Mas não necessariamente em outro planeta ou plano espiritual, se quiser ver assim, tudo bem. É o que consideramos como hábeis meios salvificos, (hoben, jp; upaya, sansc). Mas como um estado mental acessível e disponível, sem julgamento, sem culpa, sem se importar com a moralidade humana, pois até mesmo a moralidade está na esfera do samsara. Em um lapso de pensamento podemos alcançar a Terra Pura e voltar mesmo permanecendo no samsara.