O Budismo anterior a Shinran e a Hônen pregava a salvação dos “bons”, isto é, daqueles capazes de se entregar a austeridades, de custear a edificação de templos e santuários a fornecer polpudas contribuições aos monges. Em termos de classes sociais, isso significa que somente a nobreza e o alto clero tinham acesso à salvação. Já a pregação amidista visava principalmente o povo (lavradores, comerciantes, etc.) oprimido pela nobreza e incapaz de realizar as obras reclamadas pela religião da classe dominante.Nesse sentido, a pregação amidista representou uma volta à tese da absoluta igualdade humana, pregada por Shakyamuni, o fundador do Budismo, que critica radicalmente a sociedade de castas da Índia de seu tempo. Para Shinran, o povo, oprimido e explorado, excluído do paraíso pregado pela religião dos nobres, é o legítimo merecedor da Salvação através do Voto Original de Amida. Aqui nós temos um dos pontos mais altos e sublimes da religião de Shinran, comparável à mensagem do Cristianismo Primitivo, dirigido de preferência aos escravos, aos pobres e demais elementos oprimidos pela dominação romana.
(Notas, Tannishô)