O Budismo surgiu no norte da Índia há mais de dois mil e quinhentos anos atrás a partir da experiencia de Iluminação de Sidarta Gautama, também conhecido por Shakyamuni, o Buda. A palavra Buda significa Desperto, Acordado ou Iluminado. Sidarta Gautama, o Buda, não se apresentou como um deus nem como um profeta de um deus em especial.
Apresentou-se como um homem que, depois de uma longa busca, alcançou a Verdade referente à origem e ao cessar dos sofrimentos que afligem os seres humanos. Essa Verdade é chamada de Dharma (Lei, Princípio, Fundamento) e constitui a essência do ensinamento budista. Assim, o Buda histórico Gautama não inventou o Dharma, ele apenas descobriu o Dharma eterno que sempre foi, é e será, agindo apenas como seu porta-voz.
O Dharma é plenitude de Luz e Vida, Sabedoria e Compaixão. Ele não tem forma, nem cor, nem cheiro e está além da palavra e do pensamento, mas para que os seres humanos possam compreendê-lo, assume a forma de um Buda luminoso, o Buda Amida, que é representado no altar central dos templos budistas da Escola Jodo-Shinshu e é o símbolo do Sagrado Inefável.
O Buda histórico, também chamado de Shakyamuni, o Sábio do povo dos Shákyas, nos transmitiu esse ensinamento através dos Sutras, discursos que mais tarde, compilados pelos discípulos viriam a se tornar os textos sagrados do Budismo.
O mito do Buda Amida diz que num passado imemorial, um asceta de nome Dharmakara (Repositório do Dharma) jurou conduzir todos os seres viventes à Iluminação e fazendo cumprir seus 48 Votos, tornou-se um Buda com o nome de Amida, que significa Imensurável. Ele tem esse nome porque a Sabedoria e a Compaixão búdicas são imensuráveis.
Essa estória de Dharmakara se passa em uma dimensão fora do tempo e, simultaneamente, dentro do coração de cada um de nós. É uma estória exemplar que descreve o despertar da Sabedoria e da Compaixão búdicas no coração dos seres viventes. Esse despertar torna-se possível quando ouvimos e praticamos o Dharma.
Para manifestarmos a nossa veneração ao Dharma de Vida e Luz Infinitas, nós recitamos o Nembutsu (Nem, pensar ou meditar sobre, Butsu, Buda) que é expresso pela frase Namu-Amida-Butsu, que significa “Reverencia ao Buda da Vida e Luz Infinitas” ou “Eu tomo refúgio no Buda da Vida e Luz Infinitas”.
O Nembutsu é a prática central de nossa Escola Budista Jodo-Shinshu, também chamada de Budismo Shin.
Segundo o Venerável Mestre Shinran (1173-1262), o Patriarca Fundador de nossa Escola, o Nembutsu não é uma prece para pedirmos curas, milagres ou mesmo a nossa iluminação. O Nembutsu é um cantico de gratidão que brota de nossos lábios quando a luz do Dharma ilumina nossos corações, dissipando as trevas da ignorância, causa primordial de todo o sofrimento.
Desse modo, nos templos budistas da Escola Jodo-Shinshu, nós sempre encontraremos como ícone sagrado, no centro do altar principal, a estátua do Buda Amida, ou uma pintura deste, ou mesmo uma moldura com a inscrição da frase Namu-Amida-Butsu que irá simbolizar a nossa reverência ao Dharma Sagrado, ou seja, à Vida e à Luz Imensuráveis.
A estátua dourada que encontramos nos altares dos templos do Budismo Shin, ou nos altares domiciliares, portanto, não é a do Buda histórico Shakyamuni e nem a de outros Budas, mas sim a do Buda Amida ou o seu nome sagrado, contido no Namu-Amida-Butsu.
Algumas pessoas estranham a ausencia da imagem de Shakyamuni em nossos altares e chegam a dizer que o Jodo-Shinshu não é Budismo. Entretanto, Amida é o fundamento da Iluminação não só do Buda histórico Shakyamuni, mas de todos os Budas do passado, do presente e do futuro. Esse mesmo fundamento está presente na recitação do Nembutsu.
