
Desde janeiro (2008) comecei a preparar o roteiro para abril, comprar passe de trem e reservar albergues, principalmente em Quioto por conta das sakuras, as cerejeiras, a cidade fica muito movimentada. Neste post quero apresentar como foi a logística da viagem.
Trens
Usei o Japan Rail Pass de sete dias e para o pais todo. Existem vários tipos dividido por regiões e por até sete dias de uso, veja o que é mais adequado ao seu propósito. O passe vale a partir do momento que você valida numa das lojas da JR, basta apresentar o cupom de compra com seu passaporte e o agente troca por um “passaporte de viagem”. Por exemplo, fiquei uma semana em Quioto e como não o usaria neste período, validei para a segunda semana, quando fui para as cidades do monte Fuji, Nikko e Tóquio. Confira os tipos de passe nestes sites, aliás, excelentes para preparar sua viagem:
E para organizar seus horários e trocas de trens, confira estes:
Hyperdia
Jorudan
É importante você organizar antecipadamente as conexões que irá fazer. No Japão todas as estações tem indicações em inglês. Observe também os tipos de trens que você não pode usar, por exemplo, o Shinkansen Nozomi. Mas, próximo a partida dele haverá certamente outro como o Kodama ou Hikari que são permitidos (sim, os shinkansens tem nomes).
Os passes não tem reserva e você deve embarcar no vagão correspondente a isso (os letreiros da plataforma indicam quais são). Caso queira garantir vaga, é preciso pagar um suplemento a parte. Confesso que nunca precisei, sempre há lugares vagos.
Quando for embarcar na estação, não vá pela catraca pública. Há um espaço na lateral do embarque em que você apresenta o JRPass ao funcionário.
Para não ficar com fome no meio da viagem, prepare lanches e bebidas. É comum as pessoas fazerem sua refeição trazida de casa, os obentôs (marmitas). E evite falar no celular dentro do trem, tem áreas próprias para isso nos vagões, o respeito ao ambiente do outro é muito importante.
Os agentes da estação são muito cordiais, não hesite em pedir informação. Se souber um pouco de japonês, melhor, pois nem todos falam inglês, mas eles certamente terão a maior boa vontade em ajudar.
Com exceção ao trecho entre Otsuki e Gekkoji para o monte Fuji, todos os trens que tomei foram pela JRPass. Este trecho paguei à parte (930 Ienes).
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| Shinkansen |
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| dentro do Shinkansen |
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| trem para o monte Fuji |
Tóquio
Sobre o metro da capital descobri que há um passe para o dia todo e custa 1000 ienes (cerca de 10 euros). As máquinas apresentam um menu traduzido em inglês. Este passe vale para toda rede e muito mais vantagem, pois o sistema de passe é complexo, cada estação tem um preço. Se você não quer se preocupar com isso, use este. E é possível usar JRPass dentro dos metros de Tóquio operados pela JR.
Para o aeroporto de Narita T1 e 2, há linhas locais e por exemplo saindo de Kuramae, onde embarquei, custa 1060,00 ienes, mais em conta que os trens expressos.
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Comer
Não é nada difícil e vai muito além dos yakisobas e tempurás que conhecemos. Muitos restaurantes tem suas vitrines coloridas com os pratos e os preços, então no pior das hipóteses, basta apontar. O famoso sushibar, onde as iguarias ficam rodando no balcão, paga-se pela cor do prato e há um cardápio explicando para facilitar ou pedir algum em especial.
Caso você prefira não gastar muito, nas lojas de departamentos, conveniência e supermercados tem os obentôs, as marmitinhas, prontas e muito gostosas. Com cerca de 500 a 1200 ienes (5 a 12 euros) você come bem e saudável. E não deixe de experimentar as novidades pela rua como o bolinho de polvo, takoyaki, é uma delicia. Em templos e parques é comum barraquinhas servirem refeições e próximo há bancos de madeira em cor vermelha para se sentar.
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| Tempurá Udon e doce de moti com recheio de azuki |
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| Okonomyaki – uma espécie de omelete |
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| Obento (acima) e takoyaki bolinho de polvo (abaixo) |
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| Doce mandjiu com recheio de feijão azuki e chá verde, no vilarejo do monte Fuji |
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| Biscoito de raiz de lótus salgada e apimentada e de legumes |
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| Biscoito “sembei” salgado e doce, muito crocante e gostoso |
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| Obentô, suco Kalpis, biscoito sembei e doce yokan |
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| Tempurá doce em Nikko |
As padarias também são muito interessantes de conhecer, os pães e doces são deliciosos, apesar de não ser da tradição japonesa! Você escolhe o produto com uma grande pinça e leva na bandeja para pagar.
Outra opção, são as lojas de conveniências espalhadas pelas cidades. Lawson, 7Eleven e Sunkus são as mais famosas. Até mesmo obentos prontos, baratos e gostosos.
As lojas de Departamentos tem em seus subsolos a parte gourmet e mesmo as estações de trem como a Kyoto Station. Não deixe de visitar!! Os doces tradicionais japoneses são elegantemente embalados, com cores suaves e formatos de motivos naturais.
O mercado municipal Nishiki, em Quioto é fantástico em termos de produtos, cores, aromas, texturas, um incrível ponto turístico gastronômico. É mais voltado para compras diárias, mas há alguns quiosques e pequenos restaurantes possíveis para almoçar. Fecha às 18hs.
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| Nishiki Market, Kyoto |
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| balas e doces à base de gelatina de algas |
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| Tsukemono, picles japoneses |
Chá verde é vendido em garrafas, em qualquer loja de conveniência e mesmo máquinas automáticas na rua. Em média 120 Ienes.
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Albergues
Quioto
Os albergues no Japão são muitos excelentes e o de Utano, por exemplo, foi a terceira vez que me hospedei. O café da manhã é a parte e muito bom. Tem uma parte ocidental com ovos mexidos, geleias, manteiga, café, pães e uma oriental com arroz, missoshiro, algas entre outros. Os banheiros são extremamente limpos, há maquinas para lavar, secar, passar roupas, secador de cabelo, internet wifi na área comum. Nas camas, há luz de leitura, tomada, cortina privativa e armário com chave.
Este albergue fica na parte oeste da cidade e o trajeto é por ônibus local. Há três ônibus que passam lá, 26, 10 e 59. O 26 vai da Estação Central ao albergue. Os outros dois são práticos para ir ao centro e principais avenidas como Karasuma, Sanjo e Shijo. Há um passe de ônibus que vale o dia todo, custa 500 ienes, e é possível comprar com o motorista, no albergue ou na estação de trem. (o trecho unitário custa 220 ienes)
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| Entrada principal |
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| Área comum |
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| Café da manhã |
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| Ofurô |
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| Quartos |
Monte Fuji
Este albergue fica muito bem localizado a cinco minutos da estação Gekkoji na cidade de Fujiyoshida, passagem obrigatória para o monte Fuji. Eles não tem café da manhã, mas serve café e chá à vontade. Os banheiros são bem limpos e organizados. Há máquina de lavar e secar roupas. Perto deste albergue fica o local da famosa foto (abaixo) que vemos em muitas propagandas do Fuji. Fica num pequeno templo budista dentro de um parque. Peça ao agente do albergue lhe mostrar num mapa como chegar, é bem fácil.
Para chegar a este albergue, é preciso vir até a estação Otsuki em Tóquio e de lá tomar a linha para Gekkoji. Este trecho não faz parte do JRPass e paga-se 930 ienes (cerca de 9 euros). Da estação Gekkoji até o albergue são cinco minutos a pé. E para chegar ao monte Fuji no lago Kawaguchiko, o maior e principal ponto turístico, toma-se o mesmo trem da vinda de Tóquio e segue até a última estação (290 ienes).
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| Entrada principal |
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| Beliches |
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| Quarto privativo |
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| Banhos |
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| Vista do templo perto do albergue |
Nikko
Eis um albergue bem interessante. Fica num antigo “onsen”, casa de banhos termais tradicionais, e foi adaptado para hospedagem. O café da manha é bem servido, tem umas french toasts deliciosas. O banho tem vista para o rio e fica dentro dos antigos onsens. Uma sala comum tem internet, violão, muitos mapas turísticos da região e é um momento para interagir com muitos outros estrangeiros e trocar ideias sobre roteiros, dicas, etc. Fomos jantar num pequeno restaurante local que o Scout, o dono do albergue, nos levou, pois ali perto não tem lojas para comprar. Pedi um “tempurá sobá” muito gostoso, foi 1000 ienes (cerca de 10 euros).
Os quartos são todos em tatames e futons bem ao estilo japonês. Como havia um grupo de Singapura, acabei ficando sozinho num quarto (foto abaixo cobertor azul)!
Este albergue fica fora da cidade, num cenário bucólico, entre florestas de grandes pinheiros, ao lado das águas cristalinas de um rio. Um serviço de van leva os hóspedes para a estação de trem Fubasami e o centro de Nikko para os passeios. E é bem tranquilo gerenciar os horários com o Scout. Com uma moeda de 100 ienes você telefona para ele e combina o horário da van.
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| Área comum |
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| Área comum |
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| Banhos |
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| Vista da casa |
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| Eis o riacho ao lado da casa |
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| Riacho |
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| Albergue ao fundo |
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| Quartos |
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| Quarto privativo |
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| Quartos |
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Custos da viagem
Para se ter uma ideia, contabilizo aqui o quanto gastei em média na viagem, os valores estão em euros, pois é minha moeda referência (no cambio 1 euro para 105 ienes, taxa em abril de 2008).
Uma refeição custa entre 700 e 1200 ienes, cerca de 7 a 12 euros, a entrada nos templos em média 300 a 500 ienes, uma água ou chá verde 120 ienes.
Contabilizei 50 euros por dia para comer e gastos diversos.
Albergue 370,00 (10 dias)
Trem 260,00
Em espécie 800,00
Visto 25,00
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Total 1455,00 euros
A parte aérea deixo por fora, pois tirei pelo beneficio da empresa que trabalho, mas encontram-se boas ofertas saindo do Brasil por 1800 dólares.
Qualquer dúvida, escreva-me!












































